Flexibilidade: Há algo que se move quando você se permite ir um pouco mais

Flexibilidade: Há algo que se move quando você se permite ir um pouco mais

Primeiramente, flexibilidade não se limita ao corpo, tampouco se resume a alongamentos ou posturas específicas. Antes de tudo, trata-se de uma capacidade interna de se mover — emocionalmente, mentalmente e relacionalmente — mesmo quando o desconforto aparece. A princípio, esse movimento incomoda, pois exige abandonar limites conhecidos. Contudo, é exatamente nesse ponto que algo começa a se transformar.

Por que a flexibilidade inicialmente incomoda tanto?

A flexibilidade assusta porque convida à saída do território familiar. Desde já, o ser humano tende a se proteger permanecendo onde se sente seguro. No entanto, esse limite conhecido nem sempre representa saúde ou equilíbrio. Pelo contrário, frequentemente é apenas um ponto de adaptação ao que foi possível até então.

Nesse sentido, quando alguém se depara com a proposta de flexibilizar — seja no corpo, seja nas emoções — surge resistência. Ainda assim, essa resistência não é sinal de fracasso. Ao contrário, indica que há vida, tensão e possibilidade de movimento. Afinal, só aquilo que está vivo reage ao convite da mudança.

Como a flexibilidade se manifesta no processo terapêutico?

Antes de tudo, a flexibilidade aparece no modo como o sujeito se observa. Em outras palavras, trata-se da capacidade de olhar para si por ângulos diferentes, sem rigidez excessiva. Analogamente ao que ocorre na prática da yoga, os movimentos internos também exigem tempo, presença e escuta.

Frequentemente, pacientes iniciam o processo terapêutico acreditando que precisam “chegar logo” a algum lugar. Contudo, o trabalho psicológico não se constrói pela pressa. Ao passo que o vínculo se estabelece, cria-se espaço para pequenas dobras internas. E, a cada dobra, algo se revela.

Assim como no corpo, a mente também aprende por repetição cuidadosa. Portanto, flexibilizar crenças, narrativas internas e padrões emocionais não acontece de forma brusca. Pelo contrário, ocorre gradualmente, à medida que o sujeito se permite ir um pouco além do habitual.

O que muda quando se olha para si com mais cuidado?

Atualmente, muitas pessoas vivem em modo automático. Nesse meio tempo, pouco espaço sobra para observação interna. Contudo, quando alguém desacelera e passa a se olhar com mais cuidado, inicia-se um processo profundo de reorganização.

Por exemplo, ao revisar crenças rígidas — sobre si, sobre o outro ou sobre o mundo — amplia-se o campo de possibilidades. Em outras palavras, o sujeito deixa de responder sempre do mesmo modo às mesmas situações. Assim, surgem escolhas mais conscientes e menos reativas.

Além disso, esse olhar cuidadoso favorece o desenvolvimento de segurança interna. Pouco depois, aparecem mais clareza, mais coragem e, sobretudo, mais força para atravessar as próprias angústias. Dessa forma, aquilo que antes parecia distante começa a se tornar acessível.

De que maneira a flexibilidade fortalece as relações?

Sob o mesmo ponto de vista, a flexibilidade não beneficia apenas o indivíduo, mas também suas relações. Afinal, relacionar-se exige constante ajuste entre limites, desejos e expectativas. Quando há rigidez excessiva, o contato se empobrece.

Por outro lado, quando alguém se permite flexibilizar, cria-se espaço para o encontro real. Nesse sentido, torna-se possível ouvir o outro sem perder a si mesmo. Igualmente, aprende-se a sustentar diferenças sem vivê-las como ameaça.

Consequentemente, relações mais flexíveis tendem a ser mais autênticas. Isso porque o sujeito não precisa se defender o tempo todo. Ao contrário, pode se mover com mais leveza entre aproximações e afastamentos, respeitando o próprio ritmo e o do outro.

O que se revela a cada pequena “dobra” interna?

A cada pequena dobra, algo essencial se revela. Inicialmente, pode surgir desconforto. Contudo, logo depois, aparecem percepções antes inacessíveis. Em outras palavras, flexibilizar amplia a consciência.

Por vezes, o sujeito descobre recursos internos que desconhecia. Outras vezes, entra em contato com fragilidades que pedem cuidado. Ainda assim, ambos os movimentos são igualmente valiosos. Afinal, reconhecer limites também é um ato de força.

Além disso, esse processo favorece a integração entre corpo e mente. Tal qual na prática corporal consciente, o psicológico aprende que não é necessário forçar para avançar. Ao contrário, o avanço acontece quando há escuta, presença e respeito ao próprio tempo.

Flexibilizar é ceder ou se fortalecer?

Muitas pessoas associam flexibilidade à ideia de ceder demais. Contudo, essa associação é equivocada. Flexibilizar não significa perder limites, mas ajustá-los de forma consciente.

Ao contrário da rigidez, que tenta controlar o imprevisível, a flexibilidade ensina a seguir em movimento mesmo quando há desconforto. Dessa forma, o sujeito se fortalece internamente, pois aprende a confiar na própria capacidade de adaptação.

Portanto, a flexibilidade se torna uma base sólida para a autonomia emocional. Afinal, quem consegue se mover internamente não depende de condições externas perfeitas para se sentir inteiro.

Como o movimento interno reflete o trabalho terapêutico?

Nesse ínterim, o trabalho terapêutico segue o mesmo caminho: para dentro, para fora, para mais longe e, simultaneamente, para mais perto. Trata-se de um movimento contínuo de expansão e recolhimento.

Enquanto o sujeito explora o mundo interno, aprende também a se posicionar no mundo externo. Assim, o processo não fica restrito à sessão, mas se estende para a vida cotidiana, influenciando escolhas, relações e modos de estar no mundo.

Do mesmo modo, o terapeuta acompanha esse percurso com presença e escuta, respeitando o ritmo singular de cada pessoa. Dessa forma, a flexibilidade se constrói como experiência viva, e não como conceito abstrato.

O que acontece quando você se permite ir um pouco além?

Finalmente, quando alguém se permite ir um pouco além, tudo começa a se mover. Emoções antes estagnadas encontram passagem. Relações ganham novo fôlego. O corpo responde com mais leveza.

Em síntese, flexibilidade é a arte de seguir em movimento, mesmo diante do desconforto. Não se trata de eliminar tensões, mas de atravessá-las com consciência. Assim, cada passo revela mais de si, mais presença e mais vitalidade.

Portanto, permitir-se ir um pouco além é um gesto profundo de cuidado consigo mesmo. Como resultado, a vida deixa de ser um espaço de contenção e passa a ser um campo de experiência, encontro e transformação contínua. Afinal, tudo se move quando há disponibilidade interna para o movimento.

✨Tudo se move quando você se permite ir um pouco além. ❤️